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Encampada pelo Governo Federal e denominada
Estrada de Ferro Noroeste do Brasil em 1918, a ferrovia possuía
sua Administração e Oficinas Centrais, inauguradas
em 1922, na cidade de Bauru. Na década de 1930, outras
oficinas e depósitos menores estavam em atividades
nas cidades de Lins e Araçatuba, e em Três Lagoas
e Aquidauana.
O saneamento financeiro proposto pelo
governo provisório da Revolução de 1930,
atingiu diretamente as ferrovias federais. A repercussão
imediata foi sentida no bolso dos trabalhadores da Noroeste
do Brasil. Nesta situação teve lugar a organização
do Sindicato dos Empregados e Operários da Estrada
de Ferro Noroeste do Brasil.
Fundado em 1933, o sindicato dos ferroviários
da Noroeste do Brasil está incluído no conjunto
de entidades sindicais surgidas e/ou legalizadas a partir
do decreto 19770 de março de 1931. Sua primeira investida
foi naturalmente consolidar-se em todo o território
compreendido entre Bauru e Porto Esperança.
Assim, em Assembléia realizada
no dia 19 de março de 1933, os ferroviários
leram e aprovaram o Estatuto da entidade. No fim daquele ano,
o sindicato contava com mais de 2000 filiados. Entre as lutas
vitoriosas deste período destacam-se, entre outras,
o estabelecimento de um quadro de vencimentos para os ferroviários
mensalistas e jornaleiros (diaristas).
Os primeiros anos do sindicato dos
ferroviários também foram marcados por uma forte
mobilização política dos ferroviários
o que levou a polícia de Bauru, em conluio com a Administração
da estrada de ferro, a efetuar diversas intervenções
e prisões de dirigentes e trabalhadores. Em 1935, um
duro golpe contra a organização dos trabalhadores
foi perpetrado pela polícia de Bauru.
O Sindicato foi fechado e vários
ferroviários foram enquadrados na Lei de Segurança
Nacional e demitidos da ferrovia. Na seqüência,
pelegos assumiram a direção e prepararam a integração
do sindicato à administração da ferrovia
durante o Estado Novo.
É importante dizer que o período
também representou diversas vitórias mesmo em
um ambiente marcado pela repressão. Entre 1933 e 1935,
além da conquista de um quadro de vencimentos, o sindicato
representou um espaço de democracia operária
em que as diversas correntes de esquerda puderam disputar
a política sindical.
As manifestações de 1° de Maio
no campo do Esporte Clube Noroeste impulsionadas pelo sindicato
reuniam ferroviários de vários pontos da linha.
O Sindicato impulsionou também
campanhas contra o fascismo, então ascendente na época.
Quando o líder integralista Plínio Salgado visitou
Bauru, em outubro de 1934, os ferroviários sintonizados
com o sindicato preparam uma manifestação que
resultou em confronto direto e violento contra os integralistas.
Foi o primeiro grande confronto entre militantes de esquerda
e integralistas ocorrido no país.
Quando a repressão desencadeada
pela polícia atingia os ferroviários, moções
de apoio e solidariedade às lutas chegavam à
sede do sindicato, procedentes de várias entidades
sindicais, de ferroviários ou não, e de militantes
do Brasil.
O sindicato disputou cada espaço
de luta na ferrovia. Montou chapa própria e derrotou
a chapa apoiada pela Administração da ferrovia
nas eleições da Caixa de Aposentadorias e Pensões
da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, ocorridas em 1934.
Fez campanhas pela alfabetização de ferroviários
e seus familiares, exigindo da ferrovia a instalação
das turmas próximas às escolas nas cidades cortadas
pela ferrovia.
O sindicato ainda teve importância
decisiva para a instalação de uma sede da Aliança
Nacional Libertadora Nacional em Bauru em maio de 1935, ocasião
em que o intelectual e militante comunista Caio Prado Junior
esteve na cidade. A brutal repressão à ANL promovida
pelo Governo Vargas em todo território brasileiro alcançou
os ferroviários e sindicalistas da Noroeste do Brasil,
maiores impulsionadores da entidade na região. O alvo
direto da polícia, antes da própria sede da
ANL, foi o Sindicato em Bauru e suas filiais na região.
Sob forte repressão, os trabalhadores
tentaram resistir. Um manifesto lançado na imprensa
de Bauru imediatamente à invasão do Sindicato
em julho de 1935 dizia que a burguesia sanguinária
para nos provocar e tirar os nossos direitos acaba de fechar
o nosso Sindicato. E reclamemos tudo o que nos pertence na
Greve Geral (Correio da Noroeste, 25/07/1935).
Porém, a presença da
polícia instalada dentro das Oficinas em Bauru, somadas
as inúmeras prisões efetuadas contra os ferroviários,
dificultou a greve geral. Mesmo assim, como muita dificuldade,
ferroviários da via permanente conseguiram engraxar
a linha até Val de Palmas, impedindo que o grosso efetivo
da polícia expandisse à repressão nas
demais cidades durante alguns dias. Em Lins, ferroviários
cruzaram os braços impedindo a tração
de trens e trabalhadores ao longo da linha derrubaram postes
e cortaram o telégrafo, prejudicando o tráfego
desde Bauru até Porto Esperança.
O sindicato reabriu suas portas através
de um mandato de segurança obtido pelos diretores na
Justiça Federal após um mês da invasão
policial. Mas seus arquivos já haviam sido saqueados
e muitos ferroviários e diretores sindicais foram demitidos
da ferrovia. Sua reabertura, meramente burocrática,
já não representava um ponto de apoio às
lutas da categoria. Passava-se, então, para o período
em que o sindicato seria controlado por ferroviários
patrocinados pela Administração da ferrovia.
Coube aos ferroviários lutar novamente, de maneira
independente, por seus direitos e por sua organização
sindical durante todo o Estado Novo.
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